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Semana de Moda Menswear de Milão #2

E aqui vai a segunda parte do nosso review.

Etro

Parece que a pegada étnica veio mesmo para ficar nos guarda roupas, pelo menos na próxima temporada. A Etro traz transparências, rendas e estampas arabes nas mais variada paleta de cores, do preto ao branco, mas com predominância das cores quentes para a primavera. Os spotlights do desfile ficam por conta dos tecidos, extremamente leves, mostravam uma verdadeira coleção para climas mais quentes, e por conta das calças, que quando não vinha em tecidos sinteticos, vinham na seda ou na lã pura e quando não estampadas, em tons sóbrios.

Gianfranco Ferré

Coleção de paleta sóbria, de modelagen solta, chinelinhos e cara de pijama. Tirando alguns pontos altos, como os chapéus, camisas kimono e os sobretudos sem botão, nem zíperes, que são amarrados apenas com um cinto, uma coleção regular.

Giorgio Armani

Coleção bem masculina, indo totalmente contra o que vimos na Emporio Armani. O que realmente surpreende são as variadas revisitações de ternos, com detalhes na lapela, com ela larga e sem ela, diferentes posicionamento de botões, ou as vezes apenas um, quando esse não era na verdade um zíper. Amarrotados, lisos, de lã, cetim, de nylon, mais longos ou mais curtos. Como Luigi Torre disse, essa temporada está realmente a procura do novo terno.

Gucci

 Psicodelia e muitas cores, embora o que realmente salte aos olhos são os tons sóbrios e as bonitices, como uma capa que lembra uma vibe bem desértica, os maxi cardigãs e os ternos de maior comprimento e os tricôs.

Haider Ackermann


 Embora tenha desfilado no Pitti Uomo, vou colocar Haider Ackermann e os outros desfiles juntos com a Semana de Moda de Milão. Ackermann olhou para o oriente, não apenas nas estampas, como também nas modelagens, que em alguns looks, devido ao seu jeito de amarrar o roupão e kimono, que quando não em uma seda floral vermelha, vinham lindos com camadas de tons sóbrios sobre sóbrios e as calças largas e leve, que, combinadas com as estampas florais, remetem ainda mais a inspiração samurai de Ackermann.

Iceberg

Quando ouvi falar que a coleção da Iceberg seria inspirada no Pequeno Príncipe de Exupéry, meus ânimos se exaltaram, mas se desanimran logo em seguida quando nos deparamos com uma coleção adulta, apenas com a estampa de bolinhas brancas contra o fundo azul escuro, que nos lembra do pequeno planeta, mais ou menos do tamanho de uma casa, onde vive o príncipe. Mas percebemos, ao longo dos lindos tons de azuis pastel, dos cardigãs de aparência extremamente leve, da linda alfaiataria e do jogo de branco e gelo, que a coleção é, na verdade, a disparidade entre o pensamento adulto e infantil, tão presente no livro, como no casaco de futebol bege e vermelho, logo seguido de um belo terno de alfaitaria.

Jil Sander

Por um momento quase escrevi bom de cores ao invés de Jil Sanders ao falar dessa coleção nesse post. E foi exatamente o que vimos, em contraponto as coleções passadas que foram sóbrias, vemos o nascer de uma tendência direto da passarela, e que com certeza vai dominar as ruas em breve, as cores. Jil Sander trabalha com o estrabofóbico, com os nuances e com as diferenças, mixando laranja e rosa pink no mesmo look, por exemplo, e criando um resultado invejável e acima de tudo, usável, principalmente em suas camisetas de manga comprida, estampadas com labirintos psicodélicos, suas trenchcoats lisas de apenas uma cor e suas estampas de florais, com sua cor apagada quando sozinhas e fortes quando como em um jardim que em alguns momentos se confundiam com braços cheios de tatuagens de flores lúdicas, nas camisetas.

John Varvatos

Embora escura e estruturada, principalmente nas jaquetas, John Varvatos parece ter esquecido o peso, e se distanciou um pouco da pegada rocker da marca, que só apareceu, interessantissima, nos looks all black, mais pelo styling do que pelas peças. Tirando algumas peças como o sobretudo manchado cinza e branco, a jaqueta biker marron clara, e os ternos pretos, pode ser considerada uma coleção regular e comum.

Marni

Marni trouxe o que esparavamos, minimalismo, nas sobreposições, nas estampas, na modelagen e no styling e só isso. Mas o que realmente me chamou a atenção foi o casaco to die for da temporada, um sobretudo vermelho, sem lapela e com abotoamente na bainha.

Missoni

A Missoni consegue, e sucede criando uma das coisas que eu mais admiro em um marca, sua assinatura. Com seus tricôs presentes em coletes, cardigãs, sweaters e pullovers, Angela Missoni sempre consegue nos trazer as cores, os padrões, a sensação de calor e aconchego, tudo naquela aparência bem artesanal, sem parecer antiquado ou repetitivo.

Moncler Gamme Bleu

Os ciclistas e jogadores de polo da Moncler surpreendem, pela sua estrutura, sua paleta e sua capacidade de ser chic enquanto pratica esportes. Só que alguém pode me explicar o motivo que Thom Browne, o estilista da marca, conseguiu magicamente encaixar a bandeira do Iêmen em todos os looks, coisa que eu ja vejo nos desfiles da marca a umas temporadas. Apesar dessa dúvida, Thom conseguiu, finalmente, consolidar a Moncler no segmento de vestimenta esporte luxo, casual e de qualquer outro jeito desde que esteja no meu quarda roupa. Menos as leggings com estampa de bicicleta, por favor.

Moschino

Moschino sempre consegue me alegrar. A irreverência, a diversão e acima de tudo a qualidade que a grife consegue nos passar é deliciosa. Ja consegui me esquecer da imagem, linda, de rigidez que a marca mostrou em 2009 e consigo rir com o trabalho que Shapiro traz nos blazers com patchs de símbolos como Paz e Amor e imagens do AC/DC, ao terno com todo o contorno da gola, da lapela e dos bolsos variando de cor em cor, quando não brilhante com aplicações de tachas, que também vem nas jaquetas acompanhadas de uma calça xadrez, tão grunge. Delicioso.

Neil Barret

Uma coleção que realmente chamou minha atenção, pois ao mesmo tempo em que Neil Barret apresenta uma coleção com bastante influência militar nas estruturas dos casacos, das jaquetas, nas calças e nos ombros, ele consegue quebrá-la com a delicadeza de uma blusa transparente, ou a aparente fragilidade de um conjunto camisa + calça social todo amassado e a desigualdade em suas listras tortas nas camisetas transparentes, que soam como um protesto contra a rigidez das linhas retas que não estão prontas ainda para fluir como curvas.

Apesar da demora para upar essa segunda parte ( que já estava a uns quatro dias no Rascunho, esperando a revisão ), vou upar ela nesse ponto, para evitar que o post fique muito longo, mas tento upar o mais rápido possível a terceira e definitiva parte da saga: Semana de Moda de Milão. Para então começar tudo de novo com Paris.

bygui.

(Fotos via Style.com, fashionisto.com)

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